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YMS

YMS — Yard Management System

O YMS (Yard Management System), ou sistema de gestão de pátio, organiza tudo o que acontece entre a portaria e a doca: quem pode entrar, em que horário, onde o veículo espera, quando é chamado e quanto tempo ficou. É o elo entre o transporte e o armazém, e o sistema que registra o tempo de espera que vira cobrança de estadia, demurrage ou detention.

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O que é YMS?

YMS é a sigla de Yard Management System, em português sistema de gestão de pátio. É o software que controla a movimentação de caminhões, carretas e contêineres na área externa de centros de distribuição, fábricas, portos secos e terminais: do agendamento da chegada até a liberação na portaria de saída. No mercado brasileiro também aparece como "sistema de pátio" ou "controle de portaria e pátio".

O pátio costuma ser o ponto cego da operação. O TMS sabe que o caminhão saiu da origem e o WMS sabe quando a carga entrou no estoque, mas o que acontece no meio (fila na rua, espera no pátio, doca ocupada) fica em planilha, rádio ou papel. Um YMS transforma esse intervalo em eventos com data e hora.

Como funciona o YMS na prática

O fluxo abaixo é o de um CD que recebe e expede carga rodoviária. Em terminais de contêiner, as etapas são as mesmas, com o registro de gate in e gate out e a vistoria do contêiner no EIR.

  • Agendamento: a transportadora reserva uma janela de doca para carga ou descarga. O sistema limita as janelas pela capacidade de docas e de equipe e pode aprovar automaticamente ou pedir aprovação manual.
  • Check-in na portaria: identificação do motorista e da placa (manual, por QR code ou leitura automática de placa), conferência da documentação, como NF-e, CT-e e MDF-e ou ordem de coleta, e pesagem quando a operação exige. Esse horário é a chegada oficial do veículo.
  • Espera e alocação: o veículo recebe uma vaga ou baia no pátio e entra na fila por prioridade, como horário agendado, carga refrigerada ou produto perigoso.
  • Chamada para a doca: o motorista é chamado por painel, SMS ou aplicativo, e a doca fica reservada para aquele veículo.
  • Operação na doca: o WMS conduz a descarga e a conferência no recebimento (inbound) ou a carga no carregamento (outbound). O YMS registra início e fim.
  • Check-out: conferência de lacre e documentos, pesagem de saída quando aplicável e liberação na cancela. O ciclo fecha com o tempo total de permanência.

Indicadores que o YMS mede

IndicadorO que medePor que importa
Tempo de permanência (turnaround)Da entrada à saída do veículoÉ a base para cobrança de estadia e para negociar frete com a transportadora
Tempo de esperaDa chegada à chamada para a docaMostra falta de doca ou de equipe, e não lentidão na operação
Tempo de docaDo início ao fim da carga ou descargaMede a produtividade do armazém, separada da fila
Aderência ao agendamentoChegadas no horário, atrasos e no-showsMostra quais transportadoras desorganizam a programação
Ocupação de docasHoras de doca em uso sobre horas disponíveisIndica se falta doca ou se o problema é distribuição dos horários
Tempo do contêiner no pátio (dwell time)Dias entre a retirada no terminal e a devoluçãoControla o risco de detention depois do free time

YMS e o limite de 5 horas para carga e descarga

No transporte rodoviário de cargas, o art. 11 da Lei nº 11.442/2007, com a redação dada pela Lei nº 13.103/2015, fixa em 5 horas o prazo máximo para carga e descarga, contado da chegada do veículo ao endereço. Depois disso, o transportador autônomo (TAC) ou a empresa de transporte (ETC) tem direito a receber um valor por tonelada/hora ou fração, calculado sobre a capacidade total do veículo e atualizado anualmente pelo INPC.

Exemplo: uma carreta com capacidade de 30 toneladas chega ao CD às 7h e é liberada às 15h. Foram 8 horas, 3 além do limite. Na leitura mais usada pelo mercado, a cobrança considera só as horas excedentes: 3 horas × 30 toneladas = 90 tonelada-hora. O § 8º do mesmo artigo, porém, diz que, quando a estadia é devida, o cálculo parte da hora de chegada, o que levaria a 8 horas × 30 toneladas. Por isso vale fixar o critério no contrato de frete. Em qualquer leitura, sem registro confiável do horário de chegada a cobrança vira discussão; o check-in no YMS é o registro que encerra a discussão, e o relatório de tempo de espera mostra onde a fila nasce antes que a conta chegue.

YMS em terminais e recintos alfandegados

Em portos secos, terminais retroportuários e outros recintos alfandegados, o controle do pátio também é exigência da Receita Federal. A Portaria Coana nº 72/2022 define os requisitos do sistema informatizado de controle aduaneiro (SICA): entrada e saída de veículos, pesagem dos veículos rodoviários de carga a cada operação e mudanças de posição de lotes e unidades de carga precisam ser registradas praticamente no momento em que acontecem e enviadas à API-Recintos do Portal Siscomex.

Nesses recintos, o YMS cuida da portaria, da fila e da movimentação no pátio, e o TOS cuida da posição de cada contêiner na pilha e do plano de embarque. Para quem retira contêineres no porto, o mesmo controle ajuda a devolver a unidade vazia dentro do free time, evitando detention. Operações com contêiner reefer e PTI costumam usar um módulo de terminal de contêiner integrado ao pátio.

YMS x WMS x TMS x TOS: qual a diferença?

SistemaPergunta que respondeOnde atua
YMSQuem está no pátio, há quanto tempo e para qual doca vai?Portaria, pátio e docas
WMSOnde está cada item e o que separar agora?Dentro do armazém ou CD
TMSQual transportadora, rota e frete usar?Na viagem, fora da instalação
TOSOnde está cada contêiner na pilha e em qual navio embarca?Terminal portuário ou retroportuário

Os quatro se complementam: o TMS informa quem vem, o YMS controla a chegada e a fila, o WMS executa a operação na doca e, em terminais, o TOS posiciona o contêiner.

Sinais de que a operação precisa de um YMS

  • Fila de caminhões na rua ou no acostamento em horários de pico.
  • Recebimentos sem agendamento ou com janelas que ninguém cumpre.
  • Cobranças de estadia contestadas por falta de registro de chegada.
  • Docas paradas enquanto há veículos esperando no pátio.
  • Motoristas chamados por rádio, telefone ou alto-falante.
  • Contêineres ou carretas que levam horas para ser encontrados no pátio.

Perguntas frequentes sobre YMS

O que é YMS em logística?

YMS (Yard Management System) é o sistema de gestão de pátio. Ele controla agendamento, portaria, fila, alocação de docas e tempo de permanência de caminhões e contêineres.

Qual a diferença entre YMS e WMS?

O YMS cuida do que acontece fora do armazém: portaria, pátio e fila para as docas. O WMS cuida do que acontece dentro: recebimento, armazenagem, separação e expedição. Os dois se encontram na doca.

Agendamento de doca e YMS são a mesma coisa?

Não. O agendamento é uma das funções do YMS. O sistema completo também registra a chegada, controla a fila, chama o motorista e mede o tempo até a saída.

Quanto tempo o caminhão pode esperar para carregar ou descarregar?

Pela Lei nº 11.442/2007, o prazo máximo é de 5 horas, contadas da chegada ao endereço de carga ou descarga. Depois disso, o transportador tem direito a um valor por tonelada/hora ou fração, atualizado anualmente.

O YMS reduz custos com demurrage e detention?

Ajuda principalmente com detention, porque mostra há quantos dias cada contêiner está no pátio do cliente e quando vence o free time. A demurrage ocorre no terminal e depende mais da liberação aduaneira e da retirada no prazo.

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