O que é M&R?
Quase todo contêiner devolvido vazio passa por uma vistoria antes de voltar a ser oferecido para uma nova carga. A referência mais usada para essa vistoria é o conjunto de critérios do IICL (Institute of International Container Lessors), a associação das empresas de leasing de contêineres. Segundo o TT Club, seguradora de referência no setor, o IICL define os critérios de inspeção e reparo que os contêineres arrendados precisam atender na entrega e na devolução, e quem devolve fora do padrão pode ser cobrado pelo reparo. Muitos armadores usam um critério próprio, menos rígido, para a frota que não é arrendada, conhecido como cargo worthy.
O mesmo texto do TT Club destaca uma distinção importante: os critérios de inspeção definem até onde um dano pode ir antes de exigir reparo, enquanto os critérios de reparo dizem como o conserto deve ser feito. E o próprio IICL deixa claro que seus critérios não definem quem paga: essa responsabilidade vem do contrato entre dono e usuário, que normalmente exclui o desgaste natural de uso.
Como funciona o M&R no depot
O IICL descreve o ciclo típico de um contêiner no depot em etapas que se repetem no mundo inteiro:
- Gate in: o contêiner chega ao depot e o dono é avisado da entrada
- Vistoria e orçamento (estimate): o depot registra cada dano com códigos de componente, localização, tipo de dano, ação de reparo e responsável, e envia o orçamento ao dono e, quando for o caso, ao usuário
- Aprovações: o dono aceita o orçamento, e o usuário aprova os danos atribuídos a ele
- Ordem de serviço e reparo: o dono autoriza e o depot executa o conserto
- Reparo concluído e liberação: o contêiner volta ao estoque disponível e sai para um novo cliente no gate out
Os códigos usados no orçamento vêm do padrão CEDEX, da norma ISO 9897, com recomendações de uso do IICL, e o orçamento costuma circular pela mensagem EDI DESTIM, que também serve para o dono autorizar o reparo e aceitar a parte que lhe cabe. É por isso que a vistoria registrada no EIR na saída do terminal pesa tanto: é a prova de que um dano já existia antes de o contêiner chegar ao cliente. Em depots, um sistema de terminal de contêiner com vistoria por foto e códigos padronizados acelera a aprovação do orçamento.
Dano x Desgaste natural: quem paga o reparo?
| Situação | Exemplo | Quem costuma pagar |
|---|---|---|
| Desgaste natural de uso | Pintura gasta, pequenas marcas de uso normal | Dono do contêiner |
| Dano causado no uso | Painel lateral amassado por empilhadeira, piso furado, porta empenada | Usuário que devolveu o contêiner, conforme contrato |
| Sujeira e resíduos | Restos de carga, etiquetas, fita adesiva, cheiro forte | Usuário (lavagem ou limpeza especial) |
| Reparo fora do padrão | Remendo feito sem seguir o critério de reparo | Quem executou ou contratou o reparo, conforme contrato |
Perguntas frequentes sobre M&R
O que é padrão IICL?
Os critérios do Institute of International Container Lessors para inspeção e reparo de contêineres arrendados. Eles dizem quando um dano exige reparo e como o reparo deve ser feito, mas não definem quem paga.
O que são códigos CEDEX?
É o padrão de códigos para troca de dados sobre contêineres, da ISO 9897, usado nos orçamentos de reparo para indicar componente, localização, dano, ação de reparo e responsável.
Como contestar uma cobrança de reparo do armador?
Comparando a vistoria da devolução com o EIR da retirada. Se o dano já estava registrado na saída, ele não pode ser cobrado do usuário. Por isso vale fotografar e registrar qualquer avaria antes de assinar o EIR.
M&R de reefer é diferente?
No reefer, além da estrutura, há a unidade de frio. Antes de voltar a ser liberado para carga, ele passa pela PTI (Pre-Trip Inspection), que testa refrigeração e controle de temperatura.
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